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Trabalho duro x trabalho inteligente: o mito do sucesso garantido pelos workaholics

Segundo um ranking realizado pela International Stress Management Association,o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de esgotamento no trabalho, com 30% da população. O Japão lidera, com 70% de sua população sofrendo com o trabalho excessivo. É sabido que o excesso de trabalho é, mascarado de trabalho duro, romantizado e até mesmo endeusado em algumas situações. A pandemia causada pela COVID19 piorou esse cenário já que o home office ampliou a carga horária do trabalho. Uma das consequências deste “trabalho duro” foi o aumento da síndrome de Burnout. Um estudo realizado pela agência Gallup, com quase 7.500 empregados, constatou que 23% dos funcionários relataram sentirem-se esgotados no trabalho com frequência ou sempre. Já 44% informaram sentir o esgotamento às vezes. Recentemente, a Síndrome de Burnout foi oficializada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma síndrome crônica. Enquanto um “fenômeno ligado ao trabalho”, a OMS incluiu o Burnout na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022. Segundo a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, na comparação entre os anos de 2017 e 2018, o crescimento de afastamentos por esgotamento do trabalho chegou a 114,80%, indo de 196 para 421 casos.   • O trabalho excessivo não significa sucesso profissional Boa parte da nossa população ainda é cética em relação a revisar a noção de ter que trabalhar duro para ter sucesso. Afinal, ouvimos isso desde que nos entendemos por gente. Um experimento feito na subsidiária japonesa da Microsoft provou que uma jornada de trabalho de apenas quatro dias por semana é boa tanto para o trabalhador quanto para os negócios da empresa. O teste fez parte do projeto Work-Life Choice Challenge, uma experiência feita na empresa durante o verão de 2019 (que, no Japão, ocorre entre julho e setembro) como forma de testar se é possível garantir não apenas uma melhor qualidade de vida para o trabalhador, mas também aumentar a produtividade e a criatividade dele no período em que fica na empresa. A premissa mais importante era que se conseguiria tudo isso diminuindo a quantidade de dias trabalhados. Além de trabalhar por apenas quatro dias por semana, o experimento também colocou um limite de meia hora para qualquer reunião no período, encorajando que os funcionários se comunicassem de maneira remota e, obviamente, que fossem mais sucintos e efetivos nas reuniões. A iniciativa foi um tremendo sucesso: no geral, a produtividade da empresa aumentou 40% no período e essa redução de tempo trabalhado também se traduziu em menos despesas: por diminuir a quantidade de reuniões e fechar o escritório na sexta-feira, o número de páginas impressas diminuiu em 58,7% quando comparado com o mesmo período do ano anterior, e o consumo de eletricidade também caiu 23,1%. Essa história não é uma exceção. Na Nova Zelândia, por exemplo, também foi replicado o estudo, que fez de Andrew Barnes, um empresário neozelandês, um verdadeiro embaixador do conceito. A Week Global, uma comunidade sem fins lucrativos que conecta pessoas que enxergam a ideia da “semana de quatro dias” como parte do futuro do trabalho. De importantes pesquisas e experimentos podemos deduzir que o trabalho duro é muito diferente do trabalho inteligente. Nesse processo de atingir o objetivo, já nos deparamos com o achismo de que devemos ser multitarefas, mas às vezes, a ideia de multifoco é confundida com multitarefa, porém são conceitos muito diferentes. Por exemplo, enquanto alguém checa mensagens no celular, está dividindo o foco, já uma pessoa com multifoco, se dedica 100% às atividades diferentes quando as realiza. Por isso, é preciso ser multifocal e não multitarefa. Por fim, deixo aqui uma reflexão: afinal, das 8 horas que você está atrás de uma mesa, quantas exatamente está focado naquilo que deveria fazer? Você está comprometido a terminar aquilo que iniciou?

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