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Custos de infraestrutura podem subir US$ 2,3 bilhões com a crise

Custos de infraestrutura podem subir US$ 2,3 bilhões com a crise

06 de outubro de 2021 (Genebra) – A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA – International Air Transport Association) alertou que os aumentos planejados nas tarifas dos aeroportos e provedores de serviços de navegação aérea (ANSPs) devem atrasar a recuperação das viagens aéreas e afetar a conectividade internacional.

Os reajustes confirmados das tarifas de aeroportos e ANSPs somam US$ 2,3 bilhões. Outros aumentos podem atingir dez vezes este número se forem aprovadas as propostas já apresentadas pelos aeroportos e ANSPs.

“O aumento de US$ 2,3 bilhões nas tarifas durante esta crise é ultrajante. Todos nós queremos superar a crise da COVID-19. Mas colocar o fardo financeiro de uma crise de proporções apocalípticas nas costas de seus clientes, só porque você pode fazer isso, é uma estratégia comercial que só um monopólio pode imaginar. O que esperamos é, no mínimo, a redução de custos – e não o aumento de tarifas – como prioridade de todos os aeroportos e ANSPs. É para seus clientes, que são as companhias aéreas”, disse Willie Walsh, diretor geral da IATA.

Um exemplo disso é o caso dos provedores de serviços de navegação aérea da Europa. Juntos, os ANSPs dos 29 estados do Eurocontrol, a maioria de estatais, estão tentando recuperar quase US$ 9,3 bilhões (€ 8 bilhões) das companhias aéreas para cobrir perdas de receitas em 2020/2021. Além disso, planejam um aumento de 40% em 2022.

Outros exemplos de reajustes abusivos:

• O aeroporto de Heathrow está pressionando para aumentar as tarifas em mais de 90% em 2022.

• O aeroporto Schiphol de Amsterdã está sugerindo aumento de tarifas acima de 40% nos próximos três anos.

• A Airports Company South Africa (ACSA), operadora de aeroportos da África do Sul, queraumentar as tarifas em 38% em 2022.

• A NavCanada quer implementar aumento de 30% nas tarifas em cinco anos.

• A ANSP da Etiópia está aumentando as tarifas em 35% ainda neste ano.

“Hoje estou tocando o alarme. Essa situação tem que ser contida para que o setor tenha uma oportunidade justa de recuperação. Os acionistas da infraestrutura, governamentais ou privados, se beneficiaram de ganhos estáveis antes da crise. Agora, eles devem fazer sua parte na recuperação. É um comportamento inaceitável beneficiar-se de seus clientes nos bons momentos e ir contra eles nos momentos difíceis. Isso causa grandes implicações. O transporte aéreo é fundamental para apoiar a recuperação econômica pós-pandemia. Não devemos comprometer a recuperação com a irresponsabilidade e ganância de alguns dos nossos parceiros que não planejaram seus custos ou não pediram apoio aos seus acionistas”, disse Walsh.

Alguns reguladores já entenderam o perigo que representa o comportamento dos provedores de infraestrutura. As autoridades da Índia e Espanha intervieram com sucesso nos aumentos propostos pelos aeroportos e são um exemplo a ser seguido pelas autoridades de outras regiões. E a Australian Competition & Consumer Commission (ACC) , órgão do governo australiano, alertou em um relatório publicado recentemente que o aumento das tarifas para recuperar os lucros perdidos com a pandemia mostra que os aeroportos estão tirando proveito de seu poder, prejudicando a capacidade vulnerável do setor aéreo de se recuperar às custas dos consumidores e da economia.

As companhias aéreas fizeram cortes drásticos de custos desde o início da pandemia, reduzindo os custos operacionais em 35% em relação aos níveis anteriores à crise. Além disso, tiveram aumento nos empréstimos e nas contribuições dos acionistas. As companhias aéreas também buscaram ajuda do governo, a maioria na forma de empréstimos que precisam ser reembolsados. Dos US$ 243 bilhões disponibilizados às companhias aéreas, US$ 81 bilhões foram para folhas de pagamento e cerca de US$ 110 bilhões precisam ser reembolsadas. Com isso, as companhias aéreas acumularam uma dívida enorme que ultrapassa US$ 650 bilhões. Qualquer inadimplência pode resultar em falência de companhias aéreas e perda de dezenas de milhares de empregos.

A IATA pediu aos aeroportos e ANSPs que usem outras formas para lidar com o impacto financeiro da pandemia, como:

• Implementar medidas de controle de custos sustentáveis.

• Pedir apoio aos acionistas.

• Acessar mercados de capitais.

• Buscar ajuda do governo.

Notas aos editores:
• A IATA (International Air Transport Association) representa cerca de 290 companhias aéreas, que compõem 82% do tráfego aéreo global.

• Siga-nos no Twitter: https://twitter.com/iata para verificar anúncios, posicionamentos e outras informações úteis sobre o setor.

Kit sobre COVID-19 para a imprensa.

Notícias e kit sobre IATA Travel Pass para a imprensa.

Notas aos editores:
Detalhes sobre as opções disponíveis aos provedores de infraestrutura:

Implementar medidas de controle de custos sustentáveis – Os aeroportos e ANSPs precisam seguir exemplos de melhores práticas, como ajustar a infraestrutura aos volumes reais de tráfego, aumentar a eficiência do uso da infraestrutura existente antes de considerar novos investimentos e continuar implementando medidas de redução de custos após 2021. Os custos de muitos provedores previstos para 2022 já estão próximos ou ultrapassando os níveis pré-COVID, enquanto o tráfego ainda está 39% abaixo.

Pedir apoio aos acionistas – Os aeroportos e ANSPs recebem um bom retorno sobre o capital em tempos “normais”, o que é motivo suficiente para que os acionistas interfiram e forneçam apoio durante a pandemia. Seis dos maiores aeroportos europeus distribuíram dividendos de US$ 12 bilhões em cinco anos até 2019. Esse valor sozinho equivale a mais do que as perdas totais de receita desses provedores durante a pandemia.

Acessar mercados de capitais – Os aeroportos e ANSPs são reconhecidos como investimentos seguros e têm pronto acesso a linhas de crédito e mercados de capitais, como visto em títulos emitidos recentemente. Não existe ameaça de falta de financiamento que possa levar a uma crise de investimentos ou incapacidade de financiar investimentos verdes.

Buscar ajuda do governo – Vários provedores tiveram sucesso em garantir fundos do governo para apoiar operações de liquidez e negócios, enquanto outros provedores declararam publicamente sua oposição à ajuda do governo (e planejam aumentar os encargos para as companhias aéreas e seus passageiros). Usar a ajuda do governo e dos esquemas disponíveis de apoio ao emprego deve ser uma prioridade para todos os provedores.

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