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SEGURA NA MÃO DE DEUS – Jorginho Medauar

SEGURA NA MÃO DE DEUS – Jorginho Medauar

19.03.2020

Pra mim, Deus colocou a mão sobre a terra e disse: “para”.

Para com essa vida louca, de velocidade, de urgência, de querer inovar a todo custo, ser diferente, de surpreender a todo momento.

Para com esse trânsito louco. Estacionamentos cobrando 25 paus a hora, querendo que você se dane.
Para com essa indiferença, de ferre-se o próximo, eu vou sentar no banco do metrô, ligar meu celular, ignorar o idoso e fazer de conta que eu não percebi.

O idoso? Esse, coitado, que já sofria bullyng nas empresas e discriminação pública, agora será ainda mais desprezado. Fica longe porque você é grupo de risco.

Para com esse egoísmo, essa inveja, esse orgulho, essa coisa de querer tirar vantagem sempre, de qualquer um, por qualquer coisa. Essa cobiça.

Para com esse olhar só para o seu umbigo, de querer crescer na empresa, de trabalhar fim de semana, à noite, sem olhar para você.

E ainda assim os celulares corporativos não param de tocar sábado, domingo, te lembrando das coisas que você tem que fazer 2ª feira e pior: pedindo para você fazer isso, aquilo, porque o chefe tem uma apresentação e você tem que preparar tudo para ele.

Para de deixar seu filho com a babá, pagando hora extra, porque hoje você vai chegar mais tarde. Hoje, amanhã e sei lá quantos dias mais porque você tem um projeto pra apresentar…
Para com essas festas onde rola de tudo livremente.

Para com essa ideia de que o mundo mudou e não existem mais relações afetivas, onde tudo é permitido, moderno e é assim que é.

Para com esse consumo desenfreado, essa vaidade de seguir o que as celebridades postam como se fosse tendência, como se fosse o “uh” do momento e que você vai ser ainda mais infeliz se não tiver a viseira, a bolsa ou se não for no restaurante xis, na balada ipsilon.

Para para se cuidar, olhar para você, saber o que você come, bebe, com quem se relaciona, sua higiene…

Para para fazer seus exames, ir na missa, rezar um pouco, meditar, andar a pé, ler mais.

Para de querer explorar as pessoas no momento em que elas mais precisam, cobrando mais caro pelo álcool gel.

Como disse o Papa Francisco, “nós vivemos na indiferença”. Indiferença pelas dores do mundo, pelas crianças famintas, pela falta de emprego, pela miséria, pelas doenças que matam, pelos jovens que se suicidam.

Penso que este é um chamado pra gente rever nossos valores. Não os da boca para fora, mas os da boca para dentro.

É hora de olhar para o próximo, ser solidário, rever nossas crenças, nossos conceitos, nossas atitudes.

É hora de olhar para o filho, os pais, os irmãos. Olhar a balança, perder peso, ter uma vida mais leve, mais saudável.

Hora de trabalhar de um jeito diferente, mais prazeroso, mais feliz.

Hora de renascer.

Hora de baixar os preços ao invés de aproveitar a oportunidade.

Oportunidade foi feita para a gente aprender, evoluir, crescer e não explorar os outros.
Outro dia ouvi de uma pessoa que precisa ter um funcionário dormindo na empresa porque não sabe a hora que o cliente vai precisar.

Vamos devolver à natureza o que temos tirado dela.

É duro viver sem o calor de um abraço, um beijo de quem a gente ama. É duro não poder deixar as crianças com os avós. Ficar sem ir ao estádio no domingo. Sem viajar… Gastar o que não tem.
Os restaurantes já estão diminuindo a quantidade de mesas para deixar mais espaço para as pessoas. Estão usando o delivery para não perder clientes.

As empresas estão trabalhando em horários alternativos para não prejudicar os funcionários que usam transporte público.

Será que este “para” não é para começarmos efetivamente a construir um mundo melhor?

Acho que além de lavar as mãos, a gente precisa dar as mãos. Segurar na mão de Deus e seguir com fé, confiança e esperança. Afinal, antes de uma grande mudança, sempre vem o desconforto. Será que a gente tinha que passar por isso para dar valor à vida.


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